Manaus — A era do “presídio VIP” chegou ao fim para os policiais militares detidos no Amazonas. Após a descoberta de uma rotina incompatível com o sistema carcerário, que incluía caixas de pizza, garrafas de Heineken, Wi-Fi liberado e até ar-condicionado, o Governo do Estado e o Ministério Público (MPAM) deflagraram a “Operação Sentinela Maior”, transferindo 70 acautelados para uma nova e rigorosa instalação.
As imagens do novo destino dos detentos, a Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM/AM), localizada na rodovia BR-174, mostram um choque de realidade para os militares infratores. O prédio, que operava recentemente como Centro Feminino de Educação e Capacitação (Cefec) e abrigava a antiga Penitenciária Feminina de Manaus, foi readaptado para garantir o cumprimento estrito da lei, sem margem para privilégios.
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Impacto da Nova Realidade nas Celas
O vídeo exclusivo das novas instalações evidencia a total ausência das mordomias vistas no antigo Núcleo Prisional do Monte das Oliveiras. O ambiente agora é dominado pela austeridade do concreto e pela segurança reforçada.
Beliches de Alvenaria: Os quartos privativos com camas confortáveis deram lugar a celas coletivas padronizadas. No lugar da madeira, os detentos dormirão em pesados beliches de concreto armado de três andares, equipados apenas com colchões finos e uniformes do sistema prisional.
A área comum é vigiada e passou por uma completa reformulação. Acabaram-se os freezers horizontais lotados de comida e as geladeiras repletas de mantimentos. O novo refeitório apresenta mesas e bancos de concreto maciço fixados ao chão, impossibilitando qualquer alteração no layout do ambiente.
Além disso, a estrutura antifuga foi aprimorada. O pátio destinado ao banho de sol e atividades esportivas agora possui uma proteção especial. A área a céu aberto foi coberta por uma espessa malha de segurança, impedindo tanto fugas por escalada quanto o arremesso de objetos ilícitos de fora para dentro.
Controle Rigoroso: Corredores longos, portas de ferro com pesadas trancas e ventilação por cobogós (blocos de concreto vazados) substituem os ambientes climatizados da unidade anterior. Guaritas de observação externas garantem o monitoramento 24 horas, aumentando a segurança da nova instalação.
Criminosos de Alta Periculosidade e as Novas Regras
A mudança drástica nas condições de encarceramento reflete a necessidade urgente de controle institucional. Levantamentos da própria corporação revelaram que a ampla maioria dos policiais que desfrutavam do antigo “resort” no Monte das Oliveiras responde por crimes de extrema gravidade: mais de 65% do efetivo carcerário ali abrigado estava preso por homicídio, crimes sexuais (como estupro de vulnerável), roubo, extorsão e sequestro.
A falta de rigor na unidade antiga tornou-se insustentável, especialmente após uma fuga em massa de 23 PMs no fim de fevereiro deste ano, percebida somente durante uma contagem de rotina. A facilidade de acesso à internet, evidenciada por roteadores e smartphones encontrados nas antigas celas, facilitava a articulação de crimes mesmo de trás das grades.
Reforço da Segurança e Controle
A transferência em massa exigiu a mobilização de mais de 100 agentes das forças de segurança, incluindo tropas de Choque e Rocam. Essa operação foi necessária para conter protestos de familiares na porta da antiga unidade, demonstrando a tensão em torno da mudança.
Agora, isolados na BR-174 e sem contato com presos comuns de outras tipificações, os PMs estão submetidos inteiramente às diretrizes da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). De acordo com o comando da operação, o período de triagem inicial já está em andamento, e a rotina padrão de visitas na nova e austera UPPM/AM será regularizada a partir do próximo domingo, de acordo com as regras inegociáveis do sistema penitenciário amazonense.
Esta reestruturação não apenas melhora a segurança dentro da unidade, mas também reflete um compromisso do Estado em restaurar a ordem no sistema prisional e garantir que aqueles que violam a lei enfrentem as consequências de acordo com a gravidade de seus crimes.




