Advogado que pediu a condenação do próprio cliente é encontrado morto.

Advogado que pediu a condenação do próprio cliente é encontrado morto.

Brasil — O trágico falecimento do advogado Rodrigo Pantaleão, que surgiu nas manchetes devido a sua controvérsia profissional, chocou o país. Ele foi encontrado morto em sua residência, localizada no bairro Itacorubi, em Florianópolis (SC), no dia 25 de junho de 2026. Detalhes sobre sua morte estão sendo investigados pela Polícia Civil.

A Descoberta do Corpo e as Investigações

O corpo do advogado foi encontrado após a Polícia Militar ser acionada por vizinhos que notaram um forte odor vindo do imóvel. As autoridades, incluindo a Polícia Civil e a Científica, foram rapidamente mobilizadas para realizar os devidos procedimentos periciais.

Durante as buscas, dois cães de grande porte foram encontrados e posteriormente recolhidos pela Diretoria de Bem-Estar Animal (Dibea) de Florianópolis. A causa do falecimento ainda não foi definida, mas segundo o delegado Alex Bonfim, da Delegacia de Homicídios da Capital, não há indícios de criminalidade. Ele ressaltou que o advogado aparentava já estar morto há alguns dias e que não havia sinais de invasão ou lesões:

“As primeiras informações apontam que o advogado já estava em óbito alguns dias antes de ser encontrado em casa. O imóvel não estava com sinais de invasão e a vítima não tinha sinais de lesão.”

Posicionamento da OAB-SC

A Ordem dos Advogados do Brasil em Santa Catarina (OAB-SC) manifestou preocupação e está acompanhando de perto o caso, adotando todas as providências necessárias junto às autoridades competentes. O órgão enfatizou a importância de uma apuração rápida, rigorosa e transparente.

Juliano Mandelli, presidente da subseção, expressou a importância de esclarecer todas as circunstâncias em que o falecimento ocorreu e alertou para a necessidade de investigar se há alguma relação com o exercício da advocacia. Ele declarou:

“Recebemos essa notícia com profunda consternação. A OAB/SC acompanhará de perto as investigações para que todos os fatos sejam devidamente esclarecidos, especialmente no que diz respeito à eventual relação de crime com o exercício da advocacia e às prerrogativas profissionais.”

Vale destacar que Pantaleão estava com sua inscrição regular na OAB-SC, mas já havia sido alvo de investigação por conta de uma infração ética que surgiu após sua atuação em uma audiência no dia 8 de junho.

A Controvérsia de Pantaleão

Rodrigo Pantaleão ganhou notoriedade após uma audiência realizada em 28 de maio de 2026, em que concordou com a acusação feita pelo Ministério Público em um caso que envolvia seu cliente, um homem de 36 anos imputado por tráfico e uso indevido de drogas. Durante a sessão online, o advogado foi flagrado olhando para seu celular, o que gerou indignação quando, ao ser chamado pela juíza Carolina Ranzolin Nerbass, ele surpreendeu a todos ao afirmar:

“Em alegações finais, Vossa Excelência, a defesa corrobora com as afirmações exaradas pela Promotoria de Justiça, nada mais.”

A reação da juíza foi imediata, considerando que o réu estava indefeso, e ela decidiu destituir Pantaleão de sua função no caso. A situação levou à nomeação de um novo defensor, Jackson José Seilonski, que então protocolou um pedido para anular as provas do processo. O caso segue aguardando uma nova audiência de instrução e julgamento.

Impacto e Repercussão

O falecimento de Pantaleão poderá gerar reflexões sobre a pressão enfrentada por advogados e as implicações éticas de suas decisões. O caso foi amplamente discutido nas mídias sociais e na imprensa, levantando questionamentos sobre os desafios que os profissionais enfrentam em sua prática diária.

Pantaleão se tornou uma figura controversa, especialmente após sua atuação durante a audiência que o tornou um alvo de críticas. A reação pública ao seu passado recente levanta questões sobre a saúde mental e as pressões que advogados podem experimentar em situações adversas.

As investigações iniciais e a resposta da OAB-SC serão cruciais para esclarecer não apenas as circunstâncias de sua morte, mas também para entender o impacto dessa situação no contexto da advocacia em Santa Catarina e no Brasil.

Em um momento de dor e incerteza, a advocacia em Santa Catarina aguarda respostas. As implicações de sua morte e a investigação em curso têm o potencial de moldar futuras discussões sobre ética e segurança profissional na área.

Enquanto as autoridades trabalham para elucidar os detalhes, a comunidade jurídica se une em luto e em busca de resposta para um caso que transcende a vida de um advogado e que toca em questões profundas sobre a profissão.