Manaus – O prefeito de Manaus, Renato Junior, fez duras críticas ao Governo do Amazonas durante uma coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (21), em meio à crise provocada pela paralisação do transporte coletivo na capital. O chefe do Executivo municipal afirmou que a Prefeitura está em dia com os repasses ao sistema de transporte e responsabilizou o governo estadual pela falta de pagamento referente ao Passe Livre Estudantil dos alunos da rede pública estadual.
Segundo ele, a Prefeitura destinou R$ 284 milhões ao sistema de transporte coletivo somente em 2026, garantindo o pagamento integral do subsídio municipal e mantendo a tarifa cobrada dos usuários em R$ 5. De acordo com ele, todos os repasses municipais foram realizados dentro dos prazos estabelecidos. Ele ainda informou que o débito acumulado relacionado ao transporte coletivo chega atualmente a cerca de R$ 90 milhões. Segundo ele, esse valor corresponde aos repasses pendentes do Governo do Amazonas referentes ao Passe Livre Estudantil da rede estadual.
O prefeito afirmou que o Governo do Amazonas não realizou nenhum repasse ao transporte coletivo neste ano para custear a gratuidade dos estudantes da rede estadual. Além de não efetuar pagamentos em 2026, o Estado também possui débitos referentes ao ano passado, mesmo após obter uma liminar judicial que alterou a forma de cálculo do benefício.
Durante a coletiva, Renato Junior desafiou o governador Roberto Cidade a apresentar comprovantes de pagamentos realizados ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram). Segundo o prefeito, caso existam os repasses, eles devem ser divulgados para esclarecer a população.
O chefe do Executivo municipal também garantiu que os estudantes da rede pública municipal continuarão tendo acesso gratuito ao transporte coletivo e afirmou que não permitirá a retirada do benefício dos alunos da rede estadual. Para isso, informou que pretende recorrer aos órgãos de controle e ao Poder Judiciário para exigir que o Governo do Estado cumpra os pagamentos referentes ao Passe Livre Estudantil.
Durante o pronunciamento, o prefeito acusou o Governo do Amazonas de priorizar interesses políticos em detrimento da gestão pública. Ele afirmou que tentou manter um diálogo institucional para resolver os impasses, mas não obteve retorno. Ele também criticou a condução das áreas de saúde, segurança pública e transporte coletivo, classificando a situação como resultado da falta de compromisso da administração estadual.
Responsabilidade sobre o Transporte Coletivo
Renato Junior também ressaltou que a Prefeitura continuará arcando com os repasses destinados aos estudantes da rede municipal e reforçou que buscará todas as medidas administrativas e judiciais para impedir a suspensão da gratuidade dos alunos da rede estadual. Segundo ele, caso o Estado continue sem efetuar os pagamentos, a administração municipal acompanhará o caso junto aos órgãos competentes.
Desdobramentos da Crise do Transporte
A crise no transporte coletivo em Manaus traz à tona a importância da interdependência entre os níveis municipal e estadual. A falta de pagamentos pelo Governo do Amazonas tem gerado um efeito em cascata, impactando não apenas os alunos, mas também toda a população que depende do transporte público para suas atividades diárias.
Com o aumento da tensão entre a Prefeitura e o Governo do Estado, a situação exige soluções rápidas e assertivas, principalmente para garantir que os estudantes não sejam penalizados. Renato Junior se comprometeu a lutar pela manutenção dos direitos dos alunos da rede pública, enquanto a ineficiência da administração estadual é constantemente questionada.
A Resposta do Governo do Amazonas
Até o momento, o Governo do Amazonas não se manifestou sobre as declarações feitas pelo prefeito durante a coletiva de imprensa. Essa ausência de comunicação pode agravar ainda mais a crise, uma vez que a população busca respostas e soluções para os problemas que afetam diretamente suas vidas.
A expectativa é de que o governador Roberto Cidade e sua equipe se pronunciem a respeito, esclarecendo a população sobre os reais motivos da paralisação dos repasses e apresentando um plano de ação que evite maiores danos ao sistema de transporte coletiv.

