O cerco eletrônico ao crime organizado no Mato Grosso avançou significativamente com a apreensão de um veículo de luxo, sinalizando a eficácia da Polícia Civil na luta contra as facções criminosas. No último dia 10 de março, a corporação confiscou um Porsche Panamera avaliado em cerca de R$ 1 milhão, em Campo Grande (MS). O carro pertence a Gilmar Reis da Silva, conhecido no submundo do crime como “Vovozona”. Essa operação reflete um esforço estratégico para combater as atividades ilícitas e desmantelar a infraestrutura financeira do Comando Vermelho.
Apreensão e Lavagem de Dinheiro
O veículo de luxo estava registrado em nome da esposa de Gilmar, E.C.N., que desempenhava um papel crucial na facção, especialmente na ocultação de bens e na lavagem de dinheiro. As investigações descobriram que empresas de fachada em Rondonópolis sustentavam um esquema fraudulento para movimentar grandes quantias do tráfico. Essas empresas, frequentemente registradas com documentação falsa, eram usadas para:
- Receber dinheiro de membros da facção;
- Reinserir capital no mercado formal;
- Adquirir imóveis e veículos de alto padrão;
- Distribuir lucros “limpos” aos líderes da organização.
Uma Fuga Audaciosa
O cenário se complica ainda mais com a fuga de Gilmar em julho de 2023, quando ele escapou do Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos Dantas em Várzea Grande. Ele e outro detento foram autorizados a realizar serviços externos, mas não retornaram. Apesar de foragido, “Vovozona” manteve um estilo de vida extravagante com o uso de identidades falsas, abrindo contas bancárias e mostrando ostentação com dinheiro oriundo de atividades ilícitas, reafirmando sua influência na região.
Estratégia de Combate ao Crime Organizado
A ação contra Gilmar e a apreensão do veículo são parte da Operação Pharus, que integra a estratégia de combate ao crime organizado em Mato Grosso. O plano visa atacar as facções em seu ponto mais vulnerável: o financeiro. Autoridades afirmam que desarticular a estrutura econômica é fundamental para enfraquecer o poder bélico dessas organizações. Com o apoio da Renorcrim, a ação reflete um esforço conjunto entre diferentes estados para assegurar uma resposta efetiva ao avanço do crime organizado no Brasil, como parte do Programa Tolerância Zero.

