Mulher acusa Clínica Doctors de golpe e busca justiça imediata

Mulher acusa Clínica Doctors de golpe e busca justiça imediata

Manaus – Casos alarmantes envolvendo acusações de estelionato, negligência e vulnerabilidade de pacientes vieram à tona em Manaus, envolvendo a Clínica Doctors e seu proprietário, o dentista Paulo Henrique da Costa Santos. A denúncia principal é de uma paciente de 46 anos, que preferiu não se identificar. Ela registrou um Boletim de Ocorrência (B.O.) acusando a clínica de aplicar um golpe financeiro, sem cumprir os procedimentos estéticos que haviam sido pagos, e de dopá-la com doses excessivas de tranquilizantes. Além disso, o caso ganhou contornos ainda mais sombrios após a paciente relatar o pavor de possíveis abusos enquanto esteve desacordada por horas em uma sala fechada.

Veja reportagem:

O início do pesadelo e a dopagem perigosa

O Boletim de Ocorrência nº 00336168/2026 detalhou o início do pesadelo no 16º Distrito Integrado de Polícia (DIP). O caso ocorreu na fatídica tarde do dia 15 de outubro de 2026. A paciente compareceu à unidade da Clínica Doctors localizada no edifício The Place, no bairro Adrianópolis. Pretendia realizar procedimentos de rinomodelação, mini lifting e blefaroplastia. Para as cirurgias, a vítima já havia desembolsado R$ 6.000,00. No entanto, a equipe induziu a mulher a pagar mais R$ 4.000,00 adicionais no dia do primeiro atendimento, totalizando R$ 10.000,00 pagos à vista e por meio do sistema Pix.

O relato policial descreve um cenário assustador durante os preparativos médicos. A secretária da clínica administrou uma medicação extremamente pesada na paciente. Foram fornecidas 45 gotas de Clonazepam e 2 comprimidos da mesma substância. Além disso, a equipe utilizou outros remédios não identificados. Durante uma entrevista à imprensa, a vítima revelou a perda imediata da consciência após a ingestão. Ela acordou apenas durante a noite.

O medo de abuso e o resgate dramático

A paciente afirma ter ficado trancada em um consultório durante as várias horas em que esteve sedada. Ela permaneceu no local apenas na companhia do médico Paulo Henrique e de um funcionário chamado Wesley. Em seu relato desesperado, a vítima expressou um profundo terror psicológico ao perceber sua vulnerabilidade. Portanto, ela não sabe o que pode ter ocorrido contra seu corpo e dignidade nesse longo intervalo de inconsciência induzida.

O resgate da paciente só aconteceu devido à persistência admirável de seu filho. Ele ficou preocupado com a ausência prolongada da mãe. Após os funcionários ignorarem suas ligações, dirigiu-se imediatamente ao 7º andar do prédio comercial. Inicialmente, a clínica tentou despachá-lo, afirmando que a mulher iria embora por aplicativo de transporte (Uber). Apesar disso, Anselmo insistiu e encontrou sua mãe sendo conduzida da sala da clínica pelos funcionários. A vítima estava totalmente desnorteada e incapaz de responder por si mesma.

O golpe financeiro e a recusa do contrato

Horário depois dos eventos que se tornaram traumáticos, a mulher recobrou a plena consciência apenas no dia seguinte ao incidente. Neste momento, constatou que o médico não havia realizado as cirurgias estéticas contratadas. Ao cobrar uma posição da clínica, o Dr. Paulo Henrique recusou-se a fazer o procedimento combinado, alegando que o valor pago não cobria os custos reais do bloco operatório. Além disso, afirmou ter discutido novos valores enquanto ela permanecia fortemente sedada. A administração da Clínica Doctors reteve o dinheiro da paciente de forma indevida, negando também o fornecimento de uma cópia do contrato de prestação de serviços que a vítima assinou.

As denúncias da vítima convergem com relatos de outras pacientes revoltadas. Elas também acusam a Clínica Doctors de práticas semelhantes no mercado de estética. Em uma reportagem recente, outra mulher relatou ter procurado a clínica para um procedimento simples e ter sido induzida a contratar múltiplos serviços estéticos caros.

Segundo essa segunda paciente, funcionários não médicos a doparam na clínica, resultando em um apagão de consciência. Durante esse período, os suspeitos utilizaram o celular da vítima sem qualquer escrúpulo, realizando transferências bancárias não autorizadas que totalizaram R$ 5.400,00. Outras mulheres aguardavam na delegacia para denunciar o mesmo padrão criminoso, envolvendo sedação excessiva, não realização das cirurgias e retenção indevida dos valores pagos.

Histórico criminal e o mandado de prisão

As acusações atuais são ainda mais graves devido ao histórico do suspeito. A polícia já havia investigado o dono da clínica por um caso semelhante em 2025. Documentos judiciais confirmam que o profissional foi alvo da Justiça amazonense neste contexto.

A Vara de Garantias Penais e de Inquéritos Policiais do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJAM) atuou firmemente no caso. Um mandado de prisão preventiva foi expedido contra Paulo Henrique em 5 de novembro de 2025, listando tipificações penais graves:

  • Artigo 154-A (Invasão de dispositivo informático): Crime que trata da invasão de dispositivo alheio para obter, adulterar ou destruir dados sem autorização.
  • Artigo 129 (Lesão corporal): Refere-se a ofender a integridade corporal ou a saúde de outra pessoa.
  • Artigo 157 (Roubo): Tipifica o crime de subtrair coisa móvel alheia mediante grave ameaça ou violência.

As denúncias registradas configuram suspeitas de crimes pesados, incluindo estelionato, lesão corporal e flagrante exercício irregular da profissão. A polícia também investigará possíveis violações de cunho sexual devido à vulnerabilidade induzida quimicamente. Atualmente, o caso segue sob rigorosa apuração das autoridades competentes do Amazonas. O espaço permanece aberto para a defesa do Dr. Paulo Henrique e representantes da Clínica Doctors, que podem apresentar seus esclarecimentos sobre as graves acusações.