Caso Camila Kellem: pai pede ajuda para repatriar corpo da filha

Caso Camila Kellem: pai pede ajuda para repatriar corpo da filha

Manaus – O trágico assassinato da amazonense Camila Kellem da Silva Caldas, de 34 anos, transformou a rotina de uma família manauara em uma dolorosa corrida contra o tempo, a burocracia internacional e a angústia da distância. Morta na última terça-feira (28) em Barcelona, no distrito de Sant Martí, Camila foi vítima de feminicídio dentro da própria casa. Enquanto as autoridades catalãs conduzem os desdobramentos judiciais e a prisão preventiva do principal suspeito, seu próprio companheiro, em Manaus a comoção abriu espaço para uma forte rede de solidariedade para permitir que o corpo da administradora e seus dois filhos pequenos, de apenas 4 e 8 anos, retornem ao Amazonas.

Na manhã da última quarta-feira (29), antes de embarcar no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes com destino à Espanha, o pai de Camila, Warney Poty Caldas, fez um apelo público e emocionado. Visivelmente abalado pela brutalidade do crime, que ocorreu na presença de seus netos, ele expressou sua gratidão pelas doações que já começaram a chegar de amigos, familiares e desconhecidos sensibilizados pela tragédia, mas reforçou que os custos para o translado internacional e os trâmites legais são altíssimos. “Quero agradecer o apoio às pessoas que já contribuíram. Não é barato o translado das crianças e do corpo da minha filha para Manaus. Quem puder ajudar, a gente está se mobilizando para fazer o velório dela aqui em Manaus e ficar com a guarda definitiva das crianças. Estou embarcando agora com a minha esposa rumo a Barcelona para resolver toda essa situação”, disse Warney Poty Caldas, pai da vítima.

A dinâmica do feminicídio e sua repercussão

Formada em Administração, natural do Amazonas, Camila era descrita por quem a conhecia como uma mulher alegre, trabalhadora e profundamente dedicada à maternidade. Sua vida na Espanha, construída com esforço ao longo de uma década, foi abruptamente interrompida no apartamento onde residia, localizado na Rua Andrade.

De acordo com investigações da Mossos d’Esquadra, a polícia autônoma da Catalunha, o companheiro da vítima estacionou uma van em frente ao edifício residencial antes de subir ao imóvel. No interior do apartamento, desferiu múltiplos golpes de faca contra Camila, com as duas crianças presentes na casa. Após cometer o ataque, o suspeito fugiu do local, mas foi interceptado e detido em uma rápida operação policial horas mais tarde, mantendo-se agora sob custódia à disposição da Justiça espanhola.

No Brasil, o irmão da vítima, Waldson Caldas, compartilhou o sentimento de devastação que tomou conta da família e cobrou rigor nas investigações. Para eles, a prioridade absoluta é blindar as crianças do trauma e garantir que elas cresçam amparadas pelo afeto dos avós maternos na capital amazonense.

Reação das autoridades e envolvimento social

A gravidade do crime gerou uma onda de indignação que chegou aos mais altos escalões do governo catalão. O caso foi formalmente classificado como feminicídio pela Delegação do Governo contra a Violência de Gênero, marcando o quarto assassinato de mulher por violência de gênero registrado na Catalunha nos primeiros sete meses de 2026. O presidente da Generalitat da Catalunha, Salvador Illa, expressou solidariedade aos familiares e reiterou que o poder público não tolerará a impunidade em casos de violência doméstica. Em um pronunciamento nas redes sociais, Illa enfatizou que a violência contra as mulheres exige uma resposta firme, unitária e constante de toda a sociedade e das instituições de Estado.

A ministra catalã da Igualdade e do Feminismo, Eva Menor, também manifestou apoio institucional e condenou a agressão sofrida por Camila, ressaltando a importância de um compromisso coletivo no combate à violência de gênero.

Mobilização por justiça e acolhimento para a família

O translado de um corpo e a regularização de menores em meio a um processo criminal que envolve múltiplos países traz grandes desafios. São altos os custos com taxas aeroportuárias, consulares, funerárias internacionais e deslocamentos transatlânticos. Portanto, a rede de apoio formada por cidadãos amazonenses e pela comunidade brasileira na Espanha se tornou crucial para a família Caldas neste momento de luto.

Enquanto o Ministério Público espanhol se prepara para formalizar a acusação contra o agressor pelo crime de feminicídio agravado, a expectativa na comunidade em Manaus gira em torno da liberação oficial das autoridades forenses de Barcelona. Isso permitirá que Camila retorne à sua terra natal, onde será homenageada como ela merece, cercada pelo amor de sua família e amigos.