Manaus – Enquanto o governo do Amazonas anuncia arrecadações recordes, os profissionais da saúde enfrentam a realidade dura de meses sem salários. O temor é crescente, especialmente com a possibilidade de o governador renunciar para candidatar-se ao Senado, deixando um sistema de saúde em colapso e um histórico calote nas cooperativas médicas.
A saúde pública no Amazonas é como um paciente terminal. Apesar das propagandas do governo que falam de investimentos bilionários, a verdade nos hospitais e unidades de pronto atendimento é uma história de desespero e precarização. Profissionais de saúde, desde médicos até técnicos de enfermagem, relatam atrasos salariais constantes e temem o que chamam de “calote da despedida” da gestão atual.
As cooperativas médicas que sustentam as unidades de saúde em Manaus não recebem repasses do Governo do Estado desde agosto do ano passado. Com os caixas esgotados, essas empresas não conseguem mais garantir a remuneração de seus cooperados, comprometendo o atendimento.
A apreensão entre os médicos é palpável, especialmente com as movimentações políticas do governador. “Nosso grande receio é que ele saia sem pagar e o novo governador queira renegociar ou até interromper os contratos. Aí será o caos”, desabafa um diretor de cooperativa, que preferiu permanecer anônimo.
Desafios na Saúde Pública
A realidade enfrentada pelos profissionais de saúde é uma intersecção de vocação e necessidade financeira, criando relações desiguais e condições de trabalho insustentáveis. O compromisso ético dos médicos, segundo muitos, está sendo usado para encobrir a falência do sistema de saúde.
Impactos no Atendimento
A crise financeira já afeta diretamente o atendimento. As novas empresas contratadas para gerir hospitais como o 28 de Agosto e o Platão Araújo operam com equipes reduzidas, sobrecarregando totalmente o sistema. A consequência é uma fila interminável de pacientes que são desviados para UPAs e SPAs, onde as cooperativas, sucateadas, lutam para atender a demanda.
No Hospital e Pronto-Socorro da Criança da Zona Sul, médicos acumulam cerca de oito meses sem receber, e uma greve é uma ameaça real. Isso impactaria as crianças que dependem de atendimentos críticos, evidenciando a total falta de controle sobre os recursos públicos.
Crise em Outras Unidades
A situação não se limita a Manaus. Na UPA de Tabatinga, os trabalhadores terceirizados estão há cinco meses sem receber. Profissionais da enfermagem já consideram a paralisação das atividades. Além disso, as reformas na unidade estão sendo realizadas de forma desorganizada, aumentando os riscos para a população.
A Matemática da Crise
A revolta dos trabalhadores da saúde se intensifica ao ver que, enquanto o governo do Amazonas anuncia arrecadações recordes, os profissionais locais continuam a enfrentar problemas básicos, como a falta de combustível para ir trabalhar. Com hospitais sucateados e profissionais sem remuneração, a pergunta que permeia o cenário é: para onde estão indo os bilhões investidos anualmente pelo governo do Amazonas?



