A galeria de arte da Valer Teatro, em Manaus, lança nesta sexta-feira, 20 de março, a exposição “Reflexões Amazônicas”, que traz mais de 30 obras de artistas visuais da região. Esta exposição, inspirada em uma coleção da Editora Valer, foca no cocar, um objeto emblemático das culturas indígenas amazônicas. Os visitantes poderão apreciar a mostra, que estará aberta de 10h às 22h no largo de São Sebastião, até 10 de julho.
Obra Gesto de Reconhecer, da artista Juliana Lama
O diretor-geral do Valer Teatro, Isaac Maciel, destaca a importância dessa exposição como uma oportunidade de conexão com a memória afetiva da Amazônia. “O cocar é uma expressão cultural fundamental entre os diversos povos indígenas da região”, afirma. A mostra também visa sanar a curiosidade do público sobre as múltiplas significâncias desse objeto, que transcende sua função decorativa, conectando ancestralidade e identidade.
Produzida pela Manaus Amazônia Galeria de Arte, a curadoria reúne uma diversidade de artistas indígenas e não indígenas, que abordam o tema do cocar por meio de várias linguagens artísticas. O evento busca destacar a profundidade simbólica desse adereço, enfatizando seu papel na formação cultural do Brasil e nas histórias que cada cocar representa.
Obra Mahãpoaka, do artista Dhiani Pa'saro
Ytanajé Cardoso, pesquisador indígena e gerente de Educação Escolar Indígena do Amazonas, comenta sobre as múltiplas dimensões que o cocar representa. “É um símbolo espiritual, estético e reflexivo, que possui raízes na ancestralidade e na história de cada povo”, enfatiza. Essa visão reforça a proposta da exposição de convidar o público a refletir criticamente sobre o cocar, ampliando sua percepção cultural.
Na opinião de Carlysson Sena, diretor da Manaus Amazônia Galeria de Arte, a proposta da exposição é provocar uma reinterpretação do olhar sobre o cocar. “Todos os artistas trazem suas próprias leituras sobre o símbolo, e esses trabalhos estarão à venda, permitindo que o público leve um pouco dessa reflexão para seus lares”, explica.
Os artistas na exposição
A curadoria selecionou uma gama diversificada de artistas: Alessandro Hipz, Dhiani Pa’saro, Duhigó, Juliana Lama, Lino Mura, Monik Ventilari e Sãnipã. Cada um apresenta sua visão particular sobre o cocar. Alessandro Hipz, por exemplo, integra o cocar à estética do grafite, enquanto Dhiani Pa’saro traz referências do povo Wanano para sua pintura. Duhigó critica o deslocamento de artefatos indígenas nos museus, e Juliana Lama foca no processo criativo e nas mãos que confeccionam os cocares.
O trabalho de Lino Mura busca resgatar práticas culturais da tradição Mura, enquanto Monik Ventilari utiliza formas abstratas para reinterpretar o tema. Por fim, Sãnipã enriquece a mostra com suas obras que dialogam com as culturas Apurinã e Kamadeni, criando um espaço de confluência e reflexão.

